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Glamping Hills: onde a modernidade se cruza com histórias ancestrais

Glamping é um novo conceito e experiência de “camping” mas com todo o glamour e charme que pode oferecer uma confortável cabana, com detalhes tão importantes como ar condicionado ou wc privativo. O Glamping Hills, que abriu há menos de dois anos em Santa Comba de Rossas, concelho de Bragança, vai ainda mais longe. A experiência que proporciona acontece em plena comunhão com a natureza, como o próprio conceito o indica, mas inserida no núcleo habitacional da aldeia, mesmo ao lado da igreja. E este detalhe faz toda a diferença: porque permite e estimula a interatividade dos visitantes com a comunidade local. A população residente em Santa Comba de Rossas abraçou a ideia com todo o carinho e tornou-se “freguesa” da saudosa “Taberna do Manuel António”, como era conhecido o espaço comercial dos avós dos promotores do Glamping, que além da taberna tinham mercearia e até o posto público dos CTT.

É um lugar quase mítico, que traz à memória dos locais o tempo em que ainda circulava o comboio de Porto até Bragança e através do qual chegavam as mercadorias à aldeia. O espaço, agora renovado, conta essa história também pela decoração: recriado o velho balcão, os armários de apoio à mercearia e até as antigas malas de latão, todas elas desenhadas e muito coloridas (onde chegavam os linhos, os cobertores e tantos outros adornos do lar que na região não era possível adquirir) fazem parte do mobiliário atual. Os netos do Manuel António e da Avó Lalãna decidiram inverter a tendência de abandono do mundo rural, o caminho mais comum e que também eles seguiram no inicio da construção dos seus projetos de vida, para regressar à origem, à terra que os viu crescer, e investir num projeto arrojado que quer criar postos de trabalho e dar dinamismo económico e social à localidade.

A “infraestrutura turística” (ainda com muito espaço para crescer) dispõe de seis cabanas (com capacidade para 3 pax cada), uma taberna com serviço de restaurante com marcação prévia, e piscina de apoio. Do Manuel António ficou a designação da Taberna, as diversas árvores de fruto, totalmente biológicas, que o visitante pode colher livremente sempre que tiver vontade, e o amor pela terra. Da avó Lalãna ficaram as malas de latão, o gosto pelo bem receber e as flores, que teimosamente crescem por todos os recantos.

Este espaço, pouco a pouco, esta a tornar-se novamente ponto de encontro da comunidade, que ali vai para tomar um café ou beber um chá ao fim da tarde mas, essencialmente, para socializar e para ver gente nova, os hóspedes do Glamping, recetivos e até sedentos de boas histórias, de tranquilidade, de calma.

Da esplanada da Taberna observam-se quatro serras (que inspiraram o nome do empreendimento – Hills): as Serras de Montesinho, Nogueira, Sanábria e Culebra (as duas últimas em Espanha).

O sentimento de admiração deixado pelos visitantes motiva os empreendedores mas também a comunidade local, que quer fazer parte do sucesso desta história e se empenha em mostrar um pouco mais do que a região pode oferecer. Para a cozinha do restaurante os moradores levam, espontaneamente, todo o tipo de produtos da terra (as hortaliças, as frutas) e dispõem-se a abrir as portas das suas casas para que os hóspedes do Glamping, quase sempre oriundos de meios urbanos onde o contacto com a natureza e com ruralidade é escasso, sobretudo as crianças, possam ver os animais domésticos: as galinha, os patos, os coelhos, etc.

É esta autenticidade, esta harmonia entre a zona residencial da aldeia com a natureza, que torna a experiência no Glamping Hills única. E quem quiser participar de forma ativa na realização de algumas atividades agrícolas também pode.

Os promotores, que numa fase inicial estavam focados em atrair visitantes oriundos do norte da Europa, perceberam que o seu público-alvo pode estar bem mais perto. É o litoral português, as cidades com maior densidade populacional, a par das cidades médias das províncias espanholas vizinhas (Galiza e Castela e Leão), que se perfila o mercado ideal deste espaço. Famílias ou pequenos grupos que valorizem a natureza e a autenticidade mas que não dispensam a qualidade e o conforto. Pessoas que sintam a necessidade de quebrar a rotina, fazendo um “short break” de descompressão, de reequilíbrio físico e mental. Que necessitem de um ritmo menos acelerado, que se disponham a entrar, por alguns dias, no “ritmo da natureza”.

No coração do nordeste

A centralidade da freguesia de Santa Comba de Rossas, noutros tempos bem conhecida pela importância da sua estação do caminho-de-ferro, é um convite à descoberta de todo o território. A proximidade com a praia fluvial do Azibo, com o Geoparque Terras de Cavaleiros, com a cidade de Bragança – e toda a oferta patrimonial, cultural e de lazer que a capital de distrito oferece -, as serras que convidam às caminhadas e ao conhecimento da biodiversidade local, tornam ainda mais atrativa uma visita ao Glamping Hills.  

O espaço adaptou-se às novas exigências impostas pela pandemia mundial da doença Covid-19 e exibe o selo Clean&Safe. Para além de cumprir todas as exigências do protocolo de segurança impostas pelas autoridades o Glamping Hills adquiriu equipamento de purificação e desinfeção do ar, que elemina baterias, vírus e fungos e ajuda no controlo de doenças como asma, rinite ou bronquite, entre outras ligadas ao sistema respiratório.

Um ninho para observar as estrelas

Desde a sua génese que o Glamping Hills se associou ao conceito de “land art”, exibindo no espaço obras de arte do artista plástico Miguel Moreira e Silva. Inicialmente, o espaço foi decorado com Máscaras, elemento identitário deste território, a última obra que nasceu foi um ninho de grandes dimensões, colocado numa enorme nogueira, que permite observar as estrelas. “O observatório tem um caracter romântico, até porque o ‘céu de Rossas’, pela ausência de luminosidade artificial, é ideal para ver as estrelas, mas vai muito além disso. Ao juntar o Miguel Moreira e Silva ao projeto temos a garantia que o ninho será uma obra de arte, como outras que atualmente tem em exposição também no Glamping, máscaras gigantes construídas com galhos de árvores”, conta João Madureira, um dos proprietários.

A palavra “ninho” já por si oferece a sensação de conforto, a ideia de observar estrelas desencadeia emoções associadas à paz, tranquilidade, beleza, perfeição, amor. E é esta imagem de Trás-os-Montes que João Madureira insiste em “vender” para o mundo, “de uma terra autêntica, original, que nos seduz e que tem tanto de bom para descobrir, para experimentar, para viver”.

2 opiniões sobre “Glamping Hills: onde a modernidade se cruza com histórias ancestrais

  1. O texto reflete a nossa história, a nossa identidade, o início de um caminho que, se se fizer sem pressas, mas com qualidade, homenegeará as gentes, os rios, as plantas as árvores da nossa região, que tem tanto para descobrir. O nosso projeto “de vida” é só um contributo.

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