Destinos

Quando a Covid-19 passar quero ir a Vila Flor!

E de repente estamos privados liberdade… e de repente estamos privados de viajar, de socializar, de interagir com outros povos, outras culturas outros lugares… mas não há risco de contágio para quem viaja com a imaginação, para quem conhece outros sítios com a leitura, para quem busca a serenidade destes dias atribulados fazendo planos, a curto prazo, para regressar à normalidade.

Quando tudo isto passar eu quero ir a Vila Flor!

A simples ideia de que existem restrições à circulação causa-me ânsia de liberdade. E causa-me também ânsia de conhecer outros lugares, outros povos, outras culturas. Como é bom viajar!

Não tem de ser para destinos exóticos, sofisticados, vendidos como experiências cheias de glamour, exuberantes. Tem de ser destinos autênticos, onde consiga perceber a força que emana da terra, onde possa perceber o ciclo da vida pintado na natureza, onde possa parar, para sentir, para me sentir, sem perturbações sem pressas.

Antes da pandemia chegar a Câmara Municipal de Vila Flor, no distrito de Bragança, convidou alguns jornalistas para conhecer o concelho, e é essa sugestão de viagem que vos trazemos, para fazer daqui a um mês, dois meses, não interessa, quando a situação o permitir.

Começamos esta experiência com uma caminhada, o Trilho da Serra de Faro. É quase uma experiência “religiosa”, seja qual for o Deus que nos guia. Partimos do Santuário de Nossa Senhora da Assunção, situado na freguesia de Vilas Boas. É o maior Santuário Mariano da região e um dos miradouros mais espetaculares do concelho, permitindo-nos vaguear o olhar por todo o território. Aqui podemos sentir o que é o infinito. O percurso começa com a descida de uma escadaria de quase 300 escadas. Caminhamos em direção a Vilas Boas e atravessamos a aldeia que já foi sede de concelho e se orgulha de exibir exuberantes solares, alguns transformados em unidades de alojamento de Turismo Rural, e casas agrícolas com excelentes azeites. Ao sair da aldeia “atacamos” a Serra de Faro, que contornamos, mudando completamente a paisagem à medida que circulamos a serra. Os nossos olhos começam a contemplar o Rio Tua, que vem calmo desde Mirandela. Caminhando a meia encosta o trajeto não apresenta grande grau de dificuldade. Avistamos o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Aí deparamo-nos com uma subida que convém fazer, sem reclamações, porque a meio da encosta o rio Tua pisca-nos e refresca-nos o olhar para nos dar o impulso de que precisamos continuar. Lá no alto, no Santuário, recebemos a recompensa pelo esforço: a paisagem é deslumbrante. E todo este tempo de caminhada, sempre acompanhados pelo Sol, sentimos uma enorme serenidade, mas também uma grande força, percebendo como a terra se renova, como vibra, como nos acolhe e nos envolve.

No total 12 quilómetros de imersão na natureza, com mudança de paisagens, de cores, de aromas, que nos aguçam o apetite. No dia em qua fizemos o Trilho da Serra de Faro esperava-nos uma farta merenda, ao ar livre, com imensas iguarias regionais, tendo como prato principal as Sopas da Segada que nos reconfortaram o estomago e a alma. De sobremesa nada melhor que queijo fresco com deliciosas compotas.

Igreja Matriz de Vila Flor (Créditos da foto: Alberto Ribas)

A Vila que tem nome de Flor

Outrora a Póvoa de Além Sabor engalanou-se para receber o Rei Dom Dinis, embelezou as suas ruas com flores de Liz e assim, perfumada, a localidade receber o Rei cujo cognome é “o Lavrador” mas que muitos insistem em chamar de Rei Poeta. Foi ele que rebatizou a terra e lhe deu o nome de “Vila Flor”. Este lugar sabe a poesia. A área urbana muito ordenada, com casas senhoriais vistosas, monumentos e lugares que mostram a existência de fortes casas agrícolas, de onde se destaca a produção de azeite de vinho (Vila Flor integra a Região Demarcada do Douro).

Lá no alto o Monte das Capelinhas permite-nos ver como é bela Vila Flor. Sobressai a Igreja Matriz, majestosa, muito cuidada, dedicada ao São Bartolomeu, padreiro dos vilaflorenses. Pela sua grandiosidade, de dia emana luz, à noite é iluminada com igual destaque, sobressaindo na serpentina de luminárias que em seu redor desenham a vila.

Ao lado o Museu Berta Cabral guarda riquezas sem fim, objetos raros, alguns únicos, mas essencialmente histórias que nos arrancam sorrisos, que nos empurram para continuar a visitar, uma sala após outra, onde se amontoam centenas de peças de todo o tipo. Este espaço foi fundado em 1957, por Raúl de Sá Correia, nasceu no Antigo Solar dos Aguilares, um edifício do séc.XII/XIII. Tem mais de 3000 peças, ofertas de filhos e amigos desta terra. Exibe coleções de pintura, arqueologia, etnografia, artesanato africano, arte sacra, numismática e medalhística e muito mais. Destacam-se as máquinas de escrever, provavelmente a maior coleção de máquinas de escrever do país está aqui.

Museu Berta Cabral (Crédito das fotos: Alberto Ribas)

Se houver tempo recomendamos uma visita ao Arco de Dom Dinis, a única porta de entrada que resta da antiga Muralha que o Rei Dom Dinis mandou construir para proteger o povoado. Este arco fica mesmo ao lado da fonte conhecida como “Fonte Romana” mas que afinal é quinhentista, onde noutros tempos reuniam “os homens bons” do concelho.

O Cabeço da Mina

O Sitio arqueológico conhecido como Cabeço da Mina, classificado como Interesse Público em 2014, é de propriedade privada e não se encontra aberto ao público, ainda assim, os proprietários autorizaram a realização das escavações, sendo que, os achados aí encontrados estão expostos no Centro Interpretativo do Cabeço da Mina, em Assares, Vila Flor.

Com recurso a imagens e a ferramentas multimédia, este espaço conta-nos quatro mil anos de história e explica a importância arqueológica, não só do Vale da Vilariça, mas de toda a região.

No Centro Interpretativo Cabeço da Mina, encontram-se exemplares arqueológicos originais e algumas réplicas, que no seu conjunto nos permitem fazer uma viagem até ao Calcolítico (c. do 3.º milénio a. C.).

Igreja de Santa Comba da Vilariça (Créditos da foto: Alberto Ribas)

A Igreja de Santa Comba da Vilariça

Para quem gosta de visitar lugares sagrados, locais de culto, o concelho de Vila Flor tem uma farta oferta. Desta vez recomendamos a Igreja Matriz de Santa Comba da Vilariça. Um templo barroco, construíd0 em 1719. Recentemente recuperada ao entrar somos quase ofuscados por tanta luz, tanto brilho que emerge dos altares em talha dourada. Sentimos paz, esboçamos um sorriso perante a beleza, apetece observar o silêncio, sentir a oração, agradecer por todas as bênçãos da vida. Saímos mais leves, mais tranquilos.

O Vale do Tua

Vila Flor é um dos cinco concelhos que integram o designado Vale do Tua.

A paisagem foi desenhando ao longo dos tempos e que aumenta a sua espetacularidade e beleza à medida que se aproxima do RIO, o Tua que UNE, que é responsável pela existência de um ecossistema que motivou a criação do Parque Natural Regional do Vale do Tua.

Um parque que nasce não para condicionar mas sim para consciencializar, para sensibilizar e fomentar as necessidades de conservação aliadas à oportunidade de promoção de um território que quer ser partilhado.

Com esse objetivo nasce a rede de percursos pedestres. Trilhos cuidadosamente traçados que asseguram o contacto com a biodiversidade, com o património, com as culturas agrícolas, com as populações, que proporcionam experiências embrenhadas em paisagens monumentais.

E muitos destes trilhos integram Miradouros, locais privilegiados para a observação de um cenário capaz de interferir com as emoções mais profundas de quem os visita.

Locais que também à noite se podem tornar muito especiais, bastando para isso mudar a direção do olhar. O Vale do Tua possui baixos níveis de poluição luminosa, o que permite a máxima contemplação das estrelas, sendo um excelente destino para o astro turismo.

E que dizer da fé, da tradição e da cultura que está guardada neste magnifico Vale do Tua…

Mas, sobretudo, que dizer da devoção que cada pessoa carrega por esta terra, preservando as memórias ao mesmo tempo que se atreve e salta sem medo para a modernidade.

O Centro Interpretativo do Vale do Tua é disso exemplo. A tecnologia foi transformada numa aliada de preservação de memórias e numa ferramenta ativa de interação entre o visitante e o território. Neste espaço de memória coabitam três temas complementares que fazem a história do território: O vale, a Linha ferroviária e a Barragem.

Por tudo isto fica o desfio, depois da crise passar, parta à descoberta, na mochila carregue vontade, curiosidade mas, essencialmente, AMOR, para se deixar contagiar pelo espirito livre que sobrevoa este vale, para se deixar envolver pela harmonia conseguida na simplicidade de um olhar sem filtros.

O Vale do Tua tem um slogan: “quem cá vive ama o Tua, quem cá vem apaixona-se também”, põe este destino na tua lista de prioridades de locais a visitar e experimenta.

O Vale do Tua fica à TUA ESPERA.

A equipa da Naturthougts (Créditos da foto: Roberto Ledo Garrido)

Naturthougts Turismo de Natureza

O Vale do Tua tem já onze percursos pedestres homologados e outros em implementação. Para além disso cada um dos municípios tem acrescentado outros trilhos e, no caso de Vila Flor, são já mais de 50 quilómetros para caminhar. A Naturthoughts é a empresa responsável pela implementação destes percursos e organiza também outras ofertas turísticas além das caminhadas, desportos radicais, visitas a lagares e adegas, provas de degustação, etc.

Para além da simpatia e disponibilidade dos dois sócios, Domingos Pires e João Neves, e de toda a equipa que com eles trabalha, a empresa é reconhecida pelo profissionalismo e dedicação que coloca no que faz, valores reconhecidos do último concurso Natural.pt Awards, no qual ganhou o prémio de melhor “Empresa de Animação Turística” e o “Prémio Projeto”, este último conseguido com o trabalho desenvolvido no Parque Natural Regional do Vale do Tua. A empresa trabalha em três segmentos distintos: Aventura, onde são desenvolvidos workshops e atividades com grupos, essencialmente de Team Building em ambiente outdoor; o Walking, dedicado a caminhadas, em Portugal, Espanha, França e Suíça, conjugadas com experiências relacionadas com produtos endógenos; e o segmento de Consultoria em Turismo de Natureza. Neste último, são executados estudos e projetos ligados à instalação de Percursos Pedestres Homologados, Centros de Cyclin’Portugal e Centros de Trail Running, é efetuada a produção de Cartografia Temática e são desenvolvidas Aplicações Móveis ligadas ao turismo e soluções de Design de Apoio a Produtos Turísticos.

Se é “preguiçoso” ou pouco disciplinado, se reclama a cada subida, se lhe falta motivação para se embrenhar de corpo e alma nos desafios que a natureza lhe coloca, então o melhor é deixar-se levar por quem sabe, como garantia de que não vai desistir e que, no final, vai ter a sensação de se ter superado a si próprio. Haverá algum sentimento melhor?

Holminhos Wine House (Créditos da foto: Alberto Ribas)

Holminhos Wine House

Apetece-lhe organizar uma “ceia” ao entardecer numa vinha?

Prefere um picnic à beira rio com os melhores produtos locais?

Gosta mais de estar confortavelmente sentado à mesa de um restaurante sofisticado e com um serviço de excelência?

Seja qual for a sua resposta a equipa da Holminhos Wine House está pronta para responder ao seu desafio.

A empresa dedicada ao enoturismo, é produtora de vinhos e azeites premiados internacionalmente, que lhe verdadeiramente lhe permitem “saborear” Vila Flor. 

Casa dos Lagares de Vara e Pedra (Créditos da foto: Pilar Alonso)

Casa dos Lagares de Vara e Pedra

Percebe-se à vista desarmada que se trata de uma antiga casa agrícola, onde em tempos de produziu vinhos e azeites, como os lagares, de vara e pedra, ainda o demonstram. Na própria decoração, notamos a existência de muitas peças antigas de elevado valor. Foi uma casa de família tradicional que hoje recebe visitantes de todas as partes do mundo, e há sempre uma história para partilhar, uma sugestão para dar, um convite para conhecer os lagares que hoje não laboram mas que nos deixam perceber como eram engenhosos os nossos antepassados.

A Fátima, a funcionária da casa, para além de excelente doceira (os bolos e as compotas que serve ao pequeno-almoço são fabulosos), é entendida em ervas e plantas medicinais. Conhece os montes de Vilas Boas como poucos e a cada passo vai identificando plantas e explicando de que forma podemos utiliza-las. Na própria casa, em cada divisão, tem molhos de plantas secas, que aromatizam a casa.

Texto de Ana Fragoso

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