Alter ego

É que um detox tecnológico às vezes faz bem

 

Nunca me considerei uma viciada no telemóvel, mas alguns gestos são mais ou menos automáticos: abrir a caixa de e-mail logo pela manhã, dar uma vista de olhos nas capas dos jornais e espreitar, ao de leve, o que se passa nas redes sociais (instagram e facebook, leia-se). É quase tão mecânico como tomar o pequeno-almoço antes de sair de casa, ainda que, volto a frisar, não faça parte do clube das dependentes dos smartphones– e para que conste, odeio tirar selfies (por mais que tente, não me sai uma de jeito).

Tudo isto para vos dizer que, por estes dias, estive sujeita a uma espécie de detox tecnológico (involuntário, diga-se). O meu telemóvel de última geração – talvez penúltima, de acordo com os cânones dos fãs da Apple – decidiu dar sinais de que carecia de intervenção técnica e, assim do nada, lá fiquei eu privada do meu acessório essencial.

Primeira reacção: tranquila, são só três dias (cenário traçado pela menina da assistência técnica) e até dá jeito tirar o velhinho 4S da caixa para o manter em funcionamento. Segunda reacção: quase com os nervos em franja; já passou o previsto e o meu antigo iphone – digno de integrar um museu de telecomunicações – não abre metade das aplicações de que necessito. Terceira reacção: se não os podes vencer, junta-te a eles; até que tem piada não estar a ser constantemente invadida por notificações do mail ou do messenger e instagram.

No fundo, assim sem querer, acabei por ser sujeita a uma espécie de detox tecnológico. Já tinha lido alguns artigos sobre isso, mas como nunca me senti afectada pelo uso da tecnologia não levei a coisa demasiado a sério. E o que fica depois de passar uma semana com acesso (muito) limitado às redes sociais e ao e-mail? A certeza de que conseguimos viver muito bem sem passar tantas horas on-line.

Acreditem no que vos digo: é muito engraçado passar um concerto inteiro atenta ao(s) artista(s) que estão no palco, sem estar preocupada em filmar/fotografar e publicar imediatamente nas redes sociais. Isto para já nem falar da tranquilidade de não estar a ser regularmente incomodada com as mensagens com correntes da sorte ou do azar (e afins) no messenger – será que a malta ainda percebeu que aquelas tretas chateiam?

Passei uma semana em modo quase que offline (o prazo de três dias estendeu-se) e só tenho que agradecer à Vodafone e à Apple pela experiência. Um detox tecnológico às vezes faz bem e agora já nem vou precisar de ver o telemóvel a reclamar por assistência técnica para repetir a experiência. Basta usar o botão de ligar e desligar.

 

 

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