Alter ego

Bora lá comemorar, à séria, o dia dos amigos e da família?

Nada contra mas, só nos últimos meses, já me apercebi de umas três comemorações do Dia dos Irmãos – será que há um por mês e ninguém me informou disso? E a cada um deles o ritual repetiu-se: as redes sociais inundaram-se de fotos de irmãos, meios-irmãos, irmãos do coração, e afins.

No dia dos amigos, a coisa é mais ou menos igual, e o dia da criança não lhe ficou nada atrás. Já para nem falar no dia dos namorados.

Sem querer entrar pelo campo da quantidade (e qualidade) de fotos que nestas ocasiões especiais nos entram pelo computador ou telemóvel adentro, há algo em particular que me preocupa: não estaremos nós a passar tudo o que é comemoração para esse campo virtual das redes sociais? Pior: poderão estar as nossas relações pessoais e familiares cada vez mais relegadas para esse plano distante e do foro público?

Mais do que celebrar o dia dos irmãos ou dos primos com a publicação de uma foto no Facebook seria tão mais giro se fizéssemos um esforço para nos sentarmos à mesa do café ou em casa, para celebrar as relações afectivas que – felizmente – fazem parte da nossa vida.

Proponham-se a cumprir o desafio: escolher uma qualquer data do calendário – todos os dias podem ser especiais e de celebração (haja vontade e espírito para tal) – e convoquem os irmãos, os primos ou os amigos. E festejem até mais não. De preferência sem telemóveis na mão – muito menos com ligação à internet. Vão ver que a comemoração será bem mais prazerosa do que as celebrações que têm vindo a ser instigadas pelas redes sociais.

Não há fotografia que substitua o calor de um abraço, um beijo, ou a alegria de uma gargalhada ao vivo e a cores. E também estará por descobrir, nesse mundo virtual, um conjunto de palavras ou frases que consiga substituir o poderoso “gosto de ti” ou “amo-te” dito de viva voz.

Talvez esteja na altura de pensarmos nisto, não? Para nosso próprio bem. Em prol da nossa felicidade. 

3 comentários em “Bora lá comemorar, à séria, o dia dos amigos e da família?

  1. Senhora Mulher do Leme, este vosso artigo nos remete a uma séria reflexão. Sou do tempo onde amigos se contava nos dedos das mãos. Quero crer que o mundo virtual não roube de nós os rituais sociais presenciais, onde ainda se pode dar um caloroso abraço.

  2. Sem dúvida, que o celular hoje nos oferece mil e uma possibilidades.Mas nada como um contato , olho no olho,boas risadas e o tilintar dos copos.

Deixar uma resposta