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Elas voltaram a pegar nos teares e tornaram-se empreendedoras

É numa antiga escola primária da aldeia de Campo Benfeito, na serra de Montemuro, que um pequeno grupo de mulheres trabalha diariamente a produzir peças de vestuário únicas e singulares, a partir de materiais como o burel, o linho e a lã. Casacos, capas, carteiras e outros acessórios, compõem a gama de artigos produzidos pelas “Capuchinhas” – assim se chama o grupo -, dignas de reconhecimento não só pela beleza e qualidade do seu trabalho mas também pelo exemplo de empreendedorismo que nos dão.

Há cerca de 30 anos, numa época em que “muita gente da terra optava por emigrar, devido à falta de empregos para os mais novos”, algumas mulheres da aldeia ousaram contrariar a tendência e aventuraram-se a criar os seus próprios empregos.

“Fizemos cursos de costura e, como queríamos ficar aqui, começámos a trabalhar a sério, produzindo vestuário”, conta Henriqueta Félix, uma das impulsionadoras do grupo.

Nessa altura, também foi necessário chamar as mais velhas para ensinarem a tecer, mas a marca não tardou muito a ganhar forma e a crescer. E até conta, desde há algum tempo, com a orientação de uma estilista profissional (Paula Caria) nos desenhos das peças de roupa e acessórios.

“Fazemos uma colecção por ano. Um ano, produzimos a de Inverno: no outro, a de Verão”, explica Henriqueta Félix. Na colecção dedicada à estação mais quente do ano, é o linho que impera; para o tempo frio, o burel é a matéria-prima base – as suas criações espalhadas por várias lojas, um pouco por todo o país.

Um local a visitar

Hoje, as “Capuchinhas” – o nome advém da capucha, capa tradicional da mulher serrana – dão emprego a meia dúzia de mulheres da aldeia. E também ajudam a tornar Campo Benfeito num local de visita obrigatória.

Andámos por lá, recentemente, à descoberta das Montanhas Mágicas (a aventura está relatada, ao pormenor, na Fugas) e adorámos respirar aquele ar puro e explorar a paisagem natural – composta por lameiros, galerias ribeirinhas, carvalhais, e uma impressionante área de turfeira.

Vale a pena programar uma visita a esta aldeia pertencente à rede Aldeias de Portugal.

 

 

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