Alter ego

Às mulheres inspiradoras de ontem e de hoje

 

Já lá vão uns 15 anos, mas aquele mega jantar de comemoração do Dia da Mulher nunca mais me saiu da cabeça. E pelos piores motivos. Por que raio é que alguém se lembrou de começar a celebrar uma data tão nobre (importa não esquecer que o dia 8 de Março pretende evocar uma luta de mais de 100 anos por direitos e igualdade) de uma forma tão reles?

Juntar umas boas dezenas de mulheres de várias gerações à volta da mesa – até aqui, tudo bem -, num convívio que atingiu o seu ponto alto com uma exibição de strippers masculinos não me parece minimamente digno. E não o foi. Juro-vos que, ainda hoje, me arrepio ao recordar aquelas imagens de mulheres em transe, histéricas, perante uma nudez masculina (já estou a imaginar algumas mentes a questionarem: então, por que razão te “enfiaste” lá? Simples. O convite era apenas para um jantar).

Desengane-se quem possa pensar que algo me move contra a comemoração do Dia Internacional da Mulher. A cada ano que passa, faço questão de celebrar o dia 8 de Março, nem que seja apenas com um singelo e sentido brinde às muitas mulheres que admiro nesta vida. Mulheres com garra, independentes, sonhadoras, mães, avós… mulheres que inspiram. Neste dia, os meus pensamentos estão com todas elas.

Nasci e cresci numa comunidade moldada por mulheres fortes. Em Ílhavo, os homens iam para o mar, para as longas campanhas da pesca do bacalhau, e as mulheres ficavam em terra, a assumir o papel de pai e mãe, de dono e dona da casa. Geriam longas ausências, assombradas pelo receio de que o regresso pudesse, afinal, não acontecer. Eram assim as mulheres da minha família. Eram assim as mulheres de praticamente todas as famílias da minha terra.

Hoje, vivo num tempo em que não me faltam exemplos de mulheres inspiradoras. Na política, no meio académico, no mundo dos negócios, nas artes… basta olhar à volta e há muitos nomes que nos merecem uma salva de palmas. Ou duas, nos casos em que sabemos que trilharam o seu caminho sem o “empurrão” de uma lei da paridade.

Permitam-me a confissão: ainda sou dessas que acredito que vamos chegar lá por mérito próprio, sem a “ajuda” de quotas (vai demorar, é certo, mas é realizável). Aceito (e compreendo) os argumentos de quem acredita no contrário, mas neste 8 de Março eu é que decido a quem brindo.

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