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Elas são mulheres empreendedoras e adoram aquilo que fazem

Por ocasião do Dia da Mulher, nada melhor do que apresentar dois exemplos de verdadeiras empreendedoras. Têm percursos académicos completamente distintos, trabalham em áreas diferentes, mas há algo que as une: Maria João Cravo e Maria Soares transformaram ideias em negócios 

 

 

Durante 21 anos foi professora de língua portuguesa e, ainda que durante muito tempo tivesse andado – como muitos outros docentes – com a casa às costas, sujeita ao que ditavam as listas de colocação de professores, nos últimos anos tinha conseguido ver a sua vida estabilizar-se. Mas faltava algo. “Dar aulas dava-me um prazer relativo. Gostava de ser professora mas não era apaixonada pelo que fazia”, relata Maria João Cravo.
Há quase quatro anos decidiu trocar as voltas à sua vida e, contra todas as expectativas da família e dos amigos, mergulhou no incerto. Meteu uma licença sem vencimento e decidiu abraçar um projecto pessoal que já tinha iniciado há algum tempo mas no qual “só trabalhava nas horas vagas, que eram cada vez menos”: uma marca própria de bijuteria. Assim nasceu a “Pássaro de Seda”, uma marca portuguesa que é já uma referência a nível nacional – possui o selo “Portugal Sou Eu” -, e que, em 2015, passou também a dar nome a uma loja física, no centro de Aveiro, que além das criações de Maria João Cravo comercializa outras marcas portuguesas seleccionadas.
Hoje, a responsável pela marca “Pássaro de Seda”, tem a certeza que deu o passo acertado. “Houve fases mais exigentes. Não é fácil deixar de ter aquele ordenado certo, 14 vezes por ano”, confessa. “As pessoas à nossa volta também ficam preocupadas, numa fase inicial, com esta nossa ideia em largar um emprego certo”, acrescenta. “Mas a verdade é que agora vivo mais feliz. Até posso trabalhar mais horas por dia, mas não sinto desgaste”, acrescenta Maria João Cravo, orgulhosa de, há quatro anos, ter dado “asas” ao seu pássaro: uma linha composta de peças de bijuteria e decoração feitas em cerâmica – inspiradas no imaginário português, como demonstram a presença das peças em forma de corações, galos, sardinhas e bacalhau – e de uma linha de roupa – na qual prevalecem os apontamentos de chita. Na certeza de que este é um voo que ainda tem muita distância para percorrer. “Tento estar sempre a descobrir coisas novas, a inventar peças diferentes, sempre a inovar”, testemunha Maria João Cravo.

 

 

Maria Soares já terá nascido empreendedora, pelo menos no que à vida profissional diz respeito. Licenciada em Marketing e Relações Públicas, cedo decidiu investir num projecto de empreendedorismo – uma empresa de organização de festas de aniversário, campos de férias, visitas escolares e programas para famílias – ao qual esteve ligada durante cerca de 20 anos. Há cerca de três, decidiu abraçar uma área de negócio completamente diferente.
“Foi uma campainha que começou a tocar na minha cabeça. E entre tocar e a coisa acontecer foi muito rápido”, recorda Maria Soares, a propósito da aventura na qual se lançou em Abril de 2014 e que ganhou o nome de “Porta 35”. “Era um conceito de hamburgueria que já havia em Lisboa e no Porto, mas que ainda não existia em Aveiro. E acabou por revelar-se um sucesso”, conta a empresária. Sem qualquer tipo de experiência na restauração, Maria Soares confessa que foi sujeita a um intenso processo de aprendizagem. A lição foi tão bem estudada que, cerca de um ano e meio depois de ter aberto a “Porta 35”, Maria Soares decidiu abrir um novo restaurante – o “Porta 36” -, a escassos metros do primeiro. Uma aventura de gigante, pensarão aqueles que não a conhecem. E precisamente na altura em que estava a completar um ano após a abertura do seu segundo restaurante, Maria Soares lança-se num terceiro projecto na área da restauração ao adquirir o “À Portuguesa”. Contas feitas, são três restaurantes, situados paredes meias, numa das zonas mais turísticas de Aveiro (próximo da Praça do Peixe). “Agora é para parar”, garante, mas sem afastar a possibilidade de avançar com outros projectos, noutras áreas. Basta que a “campainha” volte a tocar. “Tenho sempre essa vontade de fazer coisas novas. E, a cada dia, tenho de dar um passo em frente”, relata, fazendo a analogia: “não me basta manter o muro pintado e arranjado; tenho de colocar mais um tijolo no muro”.
E será que tudo são rosas na vida de uma empreendedora? “Há momentos de desânimo, não escondo, mas é preciso ver sempre o lado bom e não deixar o desânimo prolongar-se”, conta Maria Soares.

Créditos das fotos: Paulo Ramos e MJS

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